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  • Deixa pra lá... vem cá...

    Zaga Mattos Para mim, bar é a síntese da solidariedade. Que clube de serviço, ação entre amigos ou chá de panela ou fraldas... que nada!  Todos falam, falam, mas poucos estendem o ombro para o companheiro chorar suas mágoas. No bar é diferente. Dou um exemplo para reforçar a argumentação: você corre a praça para arrumar algum a fim de pagar a conta de luz ou telefone. Só vai ouvir piadas. Dirão: “deixa pra lá, cara. Curte um escurinho com a patroa. Jantar à luz de vela é mais romântico” e por aí vai a conversa. Rodará, rodará e terá que enfrentar o vexame de ver o funcionário da “força e luz” bater à sua porta e sacar do alicate para cortar a fiação. Mas, se você, com o queixo apoiado no braço dobrado no balcão, olhando as estripulias das moscas rondando o croquete sobre o prato, não vai se sentir abandonado. Já, já, aparece um amigo no bar, de bochechas rosadas. Vai lhe convidar para tomar “uma loira gelada”. Se você alegar que tá duro receberá a resposta na bucha: garçom, traz mais um copo aqui para festejar o prazer de rever meu velho amigo, companheiro de tantas noitadas. É tiro e queda. Sairá de lá de cara cheia e todo frajola.... Pô! Essa turma do bar é pedra 90. Mas o pessoal não é assim apenas na hora em que você conta as moedas para sair de casa. Também nas questões do amor a coisa rola favorável. Foi assim, numa manhã de sábado, quando um da turma, dos mais antigos, chegou no Estrela D’Alva, olhou a roda formada e pediu a atenção e seriedade de todos, convidando-os para uma oração, no melhor estilo do Pai Nosso. Daquelas de orar de mãos dadas e cabeça abaixada, respeitosamente. Daí, então, como naquele fado, foi desfiando um rosário de penas: “Companheiros, quero lembrar aqui as dificuldades em que está passando um companheiro nosso, o velho Beviláqua. Gostaria que todos elevassem seus pensamentos para a volta da felicidade em sua vida. Nosso pedido maior é para que uma luz oriente os pensamentos de sua esposa. Tire da mente dela pensamentos negativos e compreenda uma questão maior. Que uma força superior faça-a entender isto e não cometa desatino: deixe-o continuar frequentando o velho Estrela. Tin-tin”.

  • TUDO É QUESTÃO DE JEITO

    Zaga Mattos     Pela minha vida de solteiro passaram muitas diaristas. Cada uma com seu estilo e mania. Poderia dizer que a Yonara foi a campeã.... Mas a conclusão poderia ser confundida com a síndrome de tantos times por aí: disparando na frente e despencando no final. Uma espécie de cavalo paraguaio. Lembrando aqui a frase famosa que nos diz que nada melhor para acabar com um turfista do que uma amante argentina e um cavalo paraguaio. Com o “pedigree” da Yonara passaram também a Lurdeca, a Sandroca, Brigite (devia ter outro nome, mas para mim ela era Brigite devido a sua semelhança com a atriz francesa no verdor de sua vida) e tantas outras que foram de limpar, lavar e passar, mas nenhuma de me “acordar na hora de trabalhar...". Após a separação conjugal herdei de minha mãe os préstimos da Lurdeca. Tinha a seu favor o conhecimento dos temperos caseiros: até aprendera a fazer quibe! Mas a especialidade era mesmo sonhos recheados com goiabada. Preparava baciada deles quando meus filhos aproveitavam feriadão para passar uns dias comigo. Isso bastou para lhe garantiu a permanência no trabalho. Ah, sim! Ela também tinha bom humor e me trazia as “novidades” colhidas na sua longa viagem do bairro distante até o meu endereço. Começava o relatório com reclamações do bodum de um ou outro passageiro. Enquanto eu tomava o meu café da manha ela ia desfiando seu rosário de lamúrias contra ônibus, motorista, cobrador, passageiros. Ninguém escapava da língua afiada da Lurdeca. Quando o ônibus não vinha lotado o alvo eram as conhecidas do horário. Desprezava a ordem alfabética e começava com a Zilda. Carregava nos verbos e adjetivos. Sirigaita era elogio no fino repertório. Colocava a Aparecida lá no meio da lista, como a mostrar que não estava preocupada em honrar ninguém com hierarquia do abecedário. Nas suas observações ia do cabelo escorrido ao pixaim, sem ferir, contudo, as convenções raciais. Esperta, a Lurdeca! Sai de mim, coisa ruim! Eram palavras de ordem no seu dia a dia. Enquanto isso eu ia tomando meu café e me divertindo com os relatos. Vez ou outra vinham alguns palavrões. Já percebia que no rodar do disco estávamos entrando na faixa das encoxadas (vocábulo preferido dos malandros do pedaço, no registro das interações a bordo). Ainda dentro do tópico mobilidade urbana ameaçava falar que a passagem poderia subir. “Vi qualquer coisa disso no programa do Ratinho”. Era a luz vermelha se acendendo e eu já cortava o papo. Sabia que a caminhada iria desembocar no aumento do salário. Terminada a louça, Lurdeca ia para a sala. E de lá, vendo taças, com vestígios de vinho, reveladoras de visitas interessante, vinha a frase para não se botar defeito e deixar o caminho aberto para futuras discussões sobre reajuste salarial: - Meu patrão pode não ter dinheiro, mas tem glamour!

  • IGUALDADE DE TRATAMENTO

    Zaga Mattos Neste 8 de Março – da Dia Internacional da Mulher – volto a ocupar este espaço para falar sobre a data. Aqui, já reiterei por diversas vezes, minha admiração, empunhei bandeiras, abracei campanhas de protestos, ressaltei virtudes, ecoei reivindicações e bradei ao mundo meu amor por todas elas, sem exceção! Hoje, porém, diante de alguns pronunciamentos, respaldado em meu insuspeitável currículo de dedicação a elas, permito-me levantar esse porém. Jamais para contestar manifestações próprias à esta data. Trago aqui, na essência, a defesa daqueles que vivem, sob a opressão, visível na própria forma de respeito à mulher. Nunca ouvi da boca de uma mulher, seja em um ambiente profissional, lanche para tricotar ou comemorações de amigo secreto, a expressão: “tenho que ir, pois, meu senhor vem me buscar e já está chegando”. Por outro lado, é comum, na rodada de aperitivos, amigos levantarem acampamento, dizendo “já vou indo, porque minha senhora precisa que eu vá ao supermercado”. Assim é, ou elas são as senhoras ou as patroas! Nós, homens, nunca somos chamados de senhor ou patrão na relação conjugal. Até mesmo a expressão “teúda e manteúda” caiu em desuso. Uma vitória, sem dúvida, da luta pela igualdade. Permanecemos, contudo, sob os grilhões que antes as forjavam... Pois é, senhores! Sem frescuras, vamos nos dar as mão e exigirmos igualdade de tratamento. EM TEMPO: Parabéns, Mulheres!

  • BEM-TE-VIS

    Só me dei conta depois. O alecrim em flor pendia por sobre o canteiro e exalava teu cheiro. Um casal de quero-quero vigiava a casa e na rua crianças brincavam de roda em meio a borboletas brancas. A chuvinha fina de ontem tinha mimado a terra, deixando em festa gerânios e beijinhos coloridos. Sobraram gotinhas dela nas alamandas e nos hibiscos do jardim. Beija-flores chegaram em revoada para dessendentar a sede e se fartarem no néctar. O apito do trem das 6 soou como melodia. O orvalho ainda se diluía na rosa salmão quando chegaram dois bem-ti-vis. Um posou na palmeira, o outro se perfilou altivo no topo do ipê amarelo. O sol matinal refletia-se nos lambrequis, em cujas janelinhas se via o ... dando a primeira espreguiçada. Enquanto fervia a água do café, a TV anunciava teu filme predileto na sessão da tarde. Notei que os bem-ti-vis estavam de olhos fixo no portão. Eu tinha cansado de te esperar, mas tudo mudou com essa conspiração dos pássaros, das flores. Fitei os olhos nos bem-ti-vis e esperei vê-los encher o peito para te anunciar...

  • 𝐅𝐚𝐜̧𝐚-𝐬𝐞 𝐚 𝐥𝐮𝐳!

    Zaga Mattos A virada do dado fez-me lembrar de um momento de meus tempos de escola. Sem seguir a orientação do professor não estudei a matéria anunciada para a próxima aula. Fui nadar ou pescar lambari. Gostosas maneiras de preencher meu tempo na adolescência, nos dias de calor abafado. Na manhã seguinte, início da aula o mestre, com pompa e circunstância, tirou da pasta um envelope e anunciou: - Aqui estão os nomes de todos vocês e vamos fazer o sorteio para ver quem virá aqui na frente para dar a aula para os colegas. Levou o envelope para a menina mais estudiosa da turma e ordenou: tira um nome daqui! Não deu outra! Na lista de A a Z seguiu-se o preceito bíblico: os últimos serão os primeiros. Z de Zaga! Olhei pra os lados como se estivesse procurando um xará e restou-me ajeitar a camisa dentro das calças e dirigir-me ao patíbulo – era como passei a ver aquele estrado que elevava o mestre acima dos pobres mortais. Sem ter muito ou quase nada a dizer decidi fazer um exercício de ressignificação semântica sobre SORTEIO. Já cheguei atirando contra a etimologia da palavra. E ao falar da sua origem arrisquei que era do Latim (sabia que ninguém iria contestar porque quase todas as palavras tinham essa origem). Deu certo. Senti olhares surpresos e de admiração. Certamente todos imaginando que eu havia estudado muito. O passo seguinte foi declarar que eu estava ali para declarar a existência do Azareio. E justifiquei: vejam vocês! Eu aproveito a noite para estudar, contando com o silêncio como companheiro para melhor absorver o teor das minhas leituras. Todavia, a sorte, desde aquela hora em que peguei meus livros, me abandonou. Em tamanho silêncio cheguei até mesmo a ouvir quando queimou-se o filamento da lâmpada. Restou-me dormir. E a sorte insiste em manter o abandona, conduzindo a mão de nossa colega para o papelzinho com meu nome. Admirado com minha argumentação, o professor seguiu ensinamento bíblico “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” e preferiu chamar outro colega. Salvo pelo adverso do Fiat Lux! 31/5/24

  • BAR COM CARA DE BAR

    Ali, ao lado da ciclovia, caminho para o Molhe e Cabeçudas, está um bar que mantém tradição . É o Maré Alta. Uma porta, espaço para duas banquetas, ali na entrada, mas todo cenário e ingredientes para quem gosta de "matar o bicho na garganta". Basta dar uma olhada no balcão interno... Copos? aqueles do martelinho, em profusão. Ao lado deles, ovos cozidos em conserva e molhos de pimenta para o gosto do freguês. Que venha depois a gelada... final, ninguém é de ferro Ver estatísticas Promover uma publicação Gosto Comentar

  • O QUE FAÇO

    O que faço com este meu jeito de criança, que me faz chorar e esbravejar quando me tiram a esperança? O que faço com este meu jeito de menina, ainda um pouco acanhada e tímida? O que faço com este meu jeito moleque que cai, tropeça, machuca-se e levanta sem medo do que acontece? O que faço com este meu sorriso matreiro que está em mim o dia inteiro? O que faço com toda esta ternura que me desloca se eu não a entrego em permanente doçura? O que faço com esta ansiedade, às vezes desenfreada que me pega de repente e me deixa desatinada? O que faço com este amor que transborda que jorra em mim como uma fonte viçosa? O que faço com todo este carinho que tenho e quero te dar bem de mansinho? O que faço com esta alma de adolescente que revira o mundo e coloca-o de trás para frente? O que faço com esta canção em meus lábios, com esta alegria. incontida e com esta liberdade desprevenida? Ai!  O que faço ainda com esta paixão, com este amor que me alucina, que me desatina? Com este amor que me vira do avesso, me deixa sem pretexto, provoca-me o dia inteiro, me seduz e me alucina, Tornando-me outra vez uma simples menina? Dou a você como presente, te entrego com todo o meu amor. em troca desta simples flor que você me entregou com a alma tão carente

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Zaga Mattos

Com um nome de 34 letras resolvi facilitar a comunicação e adotei, de vez, o Zaga Mattos. Jornalista, hoje, por ócio do ofício, escritor.

 

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